Saudações,
É possível fazer um orçamento familiar com o conhecimento usado na
elaboração de orçamentos em empresas? Como devo tratar o assunto com a
minha família sem agir como um executivo de multinacional?
Realmente não se deve transpor ao ambiente doméstico os procedimentos
e os comportamentos do ambiente corporativo. Enquanto a meta de crescer
a rentabilidade permeia em geral a elaboração dos orçamentos nas
grandes empresas, as famílias devem elaborar orçamentos com foco em
assegurar o seu bem-estar. Aliás, o objetivo de prazer pode nortear os
orçamentos de pequenas empresas familiares, quando a família
empreendedora almeja um rendimento conveniente, evitando procedimentos
que acarretariam um nível inaceitável de estresse. A chamada
profissionalização de empresas familiares ocorre precisamente quando
muda a maneira como a família lida com os seus negócios.
Ao desejar uma postura pragmática e impessoal na área financeira, é
também profissionalizada a elaboração do orçamento da empresa familiar.
Um maior controle no uso dos recursos da empresa inclusive impede
aquelas retiradas descontroladas do caixa para cobrir gastos caprichosos
de parentes, que poderiam ameaçar a sobrevivência do negócio.
Para que a implementação de orçamentos seja bem sucedida, é
fundamental o apoio e o envolvimento incisivo dos principais
responsáveis, sendo fortemente aconselhável que os demais envolvidos
sejam consultados e até concordem com as partes que lhes afetam
diretamente.
No caso específico de famílias, em que não há tradição na elaboração
de orçamentos, faz-se necessária a existência de atividades que promovam
uma conscientização sobre a relevância do orçamento familiar. Agrega a
família e estimula conversas sobre suas finanças assistir a filmes que
levem a reflexões sobre o planejamento financeiro e as consequências de
se gastar desmesuradamente. Independentemente de suas características
cinematográficas, os filmes "Delírios de Consumo de Becky Bloom" (Jerry
Bruckheimer, 2009) e "Até Que A Sorte Nos Separe" (Roberto Santucci,
2012) devem fomentar debates sobre finanças pessoais em um momento
lúdico, o que comprovadamente favorece a reflexão criativa e a fixação
de conceitos. Vale pesquisar outros filmes com tramas ou cenas que
desenvolvam a educação financeira.
Com envolvimento e interesse pelas finanças pessoais, a família
deverá discutir com sinceridade e detalhar por escrito um orçamento,
composto de várias informações, tais como: as expectativas de receitas e
despesas (subdivididas em habituais, esporádicas e excepcionais) e as
quantias a serem destinadas a investimentos financeiros e a projetos
especiais (por exemplo: cursos de especialização, viagens ou obras na
residência). Devem igualmente ser ponderadas as incertezas e também as
implicações tributárias e sucessórias do orçamento.
Antes de cogitar o uso de um software especial para a preparação do
orçamento doméstico, procure executar tal tarefa com uma planilha em
Excel. Além da maioria dos computadores já ter este programa instalado,
várias pessoas já sabem usá-lo bem. Procedimentos simples e acessíveis
levam em geral aos resultados mais eficazes.
A motivação e a simplicidade facilitam o engajamento familiar com a
montagem e o monitoramento de orçamentos num processo contínuo. Neste
contexto, segue a reflexão de Antoine de Saint-Exupéry no livro "Voo
Noturno": "Na vida, não existem soluções. Existem forças em marcha: é
preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções".
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